O menino do Rio trocou o Havaí pela Bahia, sonha com os melhores dias do Arpoador ligando seu Wi-Fi numa onda única, de Bali a Califórnia. Está mais alongado, fazendo menos musculação e mais ioga, alma e corpo em sintonia slim com o shape da Foxton. À frente da marca, comprada ano passado pelo grupo Soma, os fundadores Rodrigo Ribeiro e Marcella Mendes têm um desafio: democratizar o estilo sem perder a identidade.

Conteúdo e beleza em vez de consumo. Na performance de Mara Mac, dirigida por Bia Lessa no Rio Moda Rio, moda e teatro se unem para pensar num lindo cenário de folhas secas colhidas durante três fins de semana no Jardim Botânico. Na boca de cena, uma cascata de letras derrama a frase: E assim viveremos. Vogais e consoantes se fundem como se fossem formar novas frases e contar novas histórias.

O último dia do Rio Moda Rio foi mágico. A passarela surpreendeu de várias maneiras. Com o incrível por do sol no desfile da Osklen no Museu do Amanhã. E com os pré-shows das marcas Lenny, Blue Man e The Paradise. Na Blue Man, uma instalação multicolorida de carretéis, tecidos e estampas recebeu os convidados, enquando a Paradise divertiu quem chegava em clima de mil e uma noites. Na Lenny o público entrou em estado zen com um jardim japonês e seu jardineiro.

Da renda geométrica na Maria Filó ao Art Nouveau esportivo da Alessa, o segundo dia de desfiles do Rio Moda Rio teve momentos inesquecíveis como assistir a Maria Filó desfilar no terraço do Museu de Arte do Rio, voar com as estampas de gaivota na passarela de Andrea Marques e viajar no elaborado handmade de Isabela Capeto. 

A cenografia de Gringo Cardia deu o tom do espetáculo no desfile de Patricia Viera. As geometrias do painel cenográfico de fundo só realçaram a coleção da estilista, que anda apaixonada por Cuba e trouxe um verão caliente, em cores primárias. Lino Villaventura, recordista de desfiles da temporada, fez sua terceira apresentação homenageando o Rio nos tons preciosos. Martu estreou desconstruindo a festa.

Com o Rio Moda Rio, realizado essa semana, a cidade começa a recuperar sua posição como lançadora. A moda carioca desfilou no Museu de Arte do Rio com a Maria Filó, ocupou a escadaria do Palácio Tiradentes com Ivan Aguilar e encheu os olhos da plateia com a Osklen no Museu do Amanhã. Para completar, encerrou hoje o evento com um desfile aberto ao público na Praça Mauá. Qual a importância do evento em pleno momento de crise? Absoluta, afirma Luiz Calainho, da Dream Factory, responsável pela organização. 

Legítimo baiano que cresceu à beira do Velho Chico, Guto Carvalhoneto é um rodamoinho de emoções, arte, sertão e cidade traduzido em roupa. Professor de antimoda da Escolas de Artes Visuais do Parque Lage, no varejo há 13 anos, amigo de infância de Wagner Moura, Guto já é conhecido por suas peças geométricas moldadas numa finíssima costura em moletom, vendidas na Dona Coisa. Seu primeiro desfile comemora cinco anos de marca contando uma história através da camisa branca. Título da coleção: Primeiro grito.

Até hoje, o desfile da M.Officer com a instauração de sereias feita por Tunga é uma imagem que não me sai da cabeça. Alguns minutos de pura magia com as modelos moldando no próprio corpo uma cauda feita de papel alumínio. Ao lado delas, a intrigante arte das coisas de Tunga: ossos, uma matéria esbranquiçada, despojos. Vestidas com os tecidos líquidos bolados por Carlos Miele, elas encantaram a plateia e se encantaram com a própria beleza no espelho.

Enquanto o marketing do sem gênero toma conta do fast fashion, uma nova peça entra em cena no desejo masculino, o vestido. Ele está acontecendo em círculos mais restritos como o mundo da moda, da arte e o GLS, anunciando mais mudanças. Na passarela, maxipulls e maxitshirts numa silhueta mais alongada preparam terreno para o retorno de uma peça banida do armário do homem desde a famosa "grande renúncia" no século XIX, quando os rapazes abriram mão de todo e qualquer artifício em nome da seriedade do macho, deixando para as mulheres o excesso decorativo.

Zac Posen prometeu e cumpriu. Depois de fechar seu desfile de primavera-verão 2016 com Coco Rocha num vestido iluminado por led, não decepcionou no baile do Metropolitan: deixou todo mundo boquiaberto com o modelo usado por Claire Danes no tapete vermelho do evento, que abriu a exposição Manus x Machina, Fashion in an age of Technology. O brilho do vestido no escuro vem da organza tecida com fibra ótica. 

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