Legítimo baiano que cresceu à beira do Velho Chico, Guto Carvalhoneto é um rodamoinho de emoções, arte, sertão e cidade traduzido em roupa. Professor de antimoda da Escolas de Artes Visuais do Parque Lage, no varejo há 13 anos, amigo de infância de Wagner Moura, Guto já é conhecido por suas peças geométricas moldadas numa finíssima costura em moletom, vendidas na Dona Coisa. Seu primeiro desfile comemora cinco anos de marca contando uma história através da camisa branca. Título da coleção: Primeiro grito.

Até hoje, o desfile da M.Officer com a instauração de sereias feita por Tunga é uma imagem que não me sai da cabeça. Alguns minutos de pura magia com as modelos moldando no próprio corpo uma cauda feita de papel alumínio. Ao lado delas, a intrigante arte das coisas de Tunga: ossos, uma matéria esbranquiçada, despojos. Vestidas com os tecidos líquidos bolados por Carlos Miele, elas encantaram a plateia e se encantaram com a própria beleza no espelho.

Enquanto o marketing do sem gênero toma conta do fast fashion, uma nova peça entra em cena no desejo masculino, o vestido. Ele está acontecendo em círculos mais restritos como o mundo da moda, da arte e o GLS, anunciando mais mudanças. Na passarela, maxipulls e maxitshirts numa silhueta mais alongada preparam terreno para o retorno de uma peça banida do armário do homem desde a famosa "grande renúncia" no século XIX, quando os rapazes abriram mão de todo e qualquer artifício em nome da seriedade do macho, deixando para as mulheres o excesso decorativo.

Zac Posen prometeu e cumpriu. Depois de fechar seu desfile de primavera-verão 2016 com Coco Rocha num vestido iluminado por led, não decepcionou no baile do Metropolitan: deixou todo mundo boquiaberto com o modelo usado por Claire Danes no tapete vermelho do evento, que abriu a exposição Manus x Machina, Fashion in an age of Technology. O brilho do vestido no escuro vem da organza tecida com fibra ótica. 

Lino Villaventura teve a brilhante ideia de levar o fotógrafo Miro para a passarela. Luzes a postos diante de um sofá Chesterfield, ele clicou ao vivo um editorial de moda à medida que as modelos faziam um verdadeiro balé diante da câmera. A magia da Musa se entregando ao fotógrafo foi presenciada pela plateia, que viu cada clique registrado e projetado na boca de cena. Segundo Miro, Lino pretende fazer uma exposição com as imagens. Veja quem mudou a maneira de mostrar uma coleção nesta São Paulo Fashion Week.

Destinos paradisíacos como Indochina, Havaí, Miami. Oskar Metsavaht inventou uma ilha imaginária para a Osklen: Monbupurih. Estampas tropicais, referências cubanas em Patricia Viera, que explicou a uma repórter: não quero que o Brasil seja Cuba. Cuba está se abrindo para o mundo! O Obama foi lá, meu amor! ". A moda desta temporada está fluida, desconstruída, confortável, gostosa de usar, feita para você escapar linda, leve e solta até mesmo do cotidiano encrencado que estamos vivendo.

Uma luz agradavelmente quente, feita por Maneco Quinderé, envolveu o público no desfile de Lenny Niemeyer, dirigido por Zee Nunes e Bill Macintyre com styling de Daniel Ueda. Junto com a suavidade da trilha sonora de Dudu Garcia e Pedro Igel, embarcamos para o Japão. Através das estampas, visitamos as casas japonesas, voamos com as garças em fundo degradê vermelho ou azul, mergulhamos nos bordados artesanais dos tigres e das carpas e nos emocionamos com as amarrações incríveis da arte Shibari transportada para os maiôs.

Um dos desfiles mais esperados da São Paulo Fashion Week foi o da linha de roupas criada por Alexandre Herchcovitch para a marca À La Garçonne, de Fábio Souza. Fábio teve a ideia de estampar um escafandro no moletom usado por Herchcovitch. Sem divisão de estações, usando lã, tecidos reciclados e outros não, À La Garçonne desfilou em clima vintage navy, com direito a jaquetas perfecto pintadas a mão com cabos. O ator Bruno Gagliasso apareceu usando uma no melhor estilo skinhead.

 

Nem Naomi, nem Iman, yes nós temos Isabel Fillardis. Linda, musa, visual black power, ela conta que teve que correr contra o tempo. Aprender a equilibrar casa, vida, filhos e casamento sem perder a sintonia da profissão. Mãe guerreira na luta pelo filho Jamal com síndrome de West, Isabel surge aqui com styling de John Santana, beleza de Sabrina Sanm e foto de Felipe Gaspar. "Estou me reformulando, mudando de estratégia, me produzindo, produzindo coisas...". Entre elas, a remontagem da peça "Lapinha", sobre a cantora lírica negra Joaquina Maria Conceição da Lapa, que fez sucesso no Brasil Colonial.

Lino Villaventura aproximou a noite do dia no Minas Trend, desfilando a Villaventura, sua marca mais casual, e a exuberância de sua primeira linha. Para a São Paulo Fashion Week, onde se apresenta no dia 29, promete uma coleção redução. "Sabe quando a gente reduz o molho?", brinca. "Acho que uma certa exuberância exagerada no momento atual é um pouco agressivo".

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