O vestido tem roubado a cena dos desfiles. Do modelo camisola de Herchcovitch ao look bordado ou estampado por azulejos portugueses em Reinaldo Lourenço, do gráfico na Gig ao jean coutures de Vitorino Campos, há um modelo ideal para cada mulher. O longo predomina sem excluir os curtos. Monástico, comportado, transparente, quase descarado em fendas, ele veste seu lado santa ou demônia. 

Ronaldo Fraga mapeou o coração para falar de amor. Lago dos momentos felizes, arquipélago da ingratidão, oceano da afeição, "em tempos de guerra, falar de amor é um ato de subversão e resistência", escreveu o estilista em seu release. Os desenhos do seu "Caderno de roupas, memórias e croquis" ganharam vida na animação da boca de cena colorindo o cenário de camas desfeitas na passarela. Inesquecível e arrebatador.

Uma história de boudoir sobre amor e perda, perversão, sexo e poder. Foi o título da coleção de Alexandre Herchcovitch, que abriu, na Prefeitura de São Paulo,a São Paulo Fashion Week de inverno com um desfile cheio de fetiches. Até o dia 23, no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera, a semana, que comemora 20 anos, lança as novidades para o inverno 2016.

Presença forte, óculos escuros, pernas cruzadas. Muito além da modelo, uma mulher capaz de fazer mil personagens. Betty Lago absolutamente elegante num editorial, publicado na Revista Moda Brasil, onde fui editora assistente em meados da década de 80, e fotografado por Nando Buco, é uma imagem que nunca vou esquecer. 

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