Heloisa Marra
: Heloisa Marra

Enquanto o marketing do sem gênero toma conta do fast fashion, uma nova peça entra em cena no desejo masculino, o vestido. Ele está acontecendo em círculos mais restritos como o mundo da moda, da arte e o GLS, anunciando mais mudanças. Na passarela, maxipulls e maxitshirts numa silhueta mais alongada preparam terreno para o retorno de uma peça banida do armário do homem desde a famosa "grande renúncia" no século XIX, quando os rapazes abriram mão de todo e qualquer artifício em nome da seriedade do macho, deixando para as mulheres o excesso decorativo.

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O stylist Felipe Dornelles reconhece que o início desse movimento é a moda das long t-shirts, que ganha força com o aval do hip hop. "Os homens têm um pouco de vergonha de usar o vestido propriamente dito", afirma. "A Zara e a C&A fizeram uma coleção sem gênero mas não colocaram todas as peças. O vestido é uma proposta nova que está rolando mais no mundo GLS, onde os homens são mais livres".

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Num momento em que cada vez mais a coleção feminina e a masculina dividem a mesma passarela, as fronteiras entre os dois sexos se tornam mais tênues criando condições para uma troca cheia de surpresas. Sem medo de perder a tão estimada seriedade, o homem contemporâneo veste uma roupa mais fluida. Sua silhueta é longilínea com músculos definidos mas não tão inflados.

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Para o stylist Rogério S, já existe uma forma masculina de usar o vestido. "São muitas as questões que envolvem o homem usar vestido", afirma. "A C&A propôs chemises na sua coleção sem gênero. Eu tenho vontade de usar mas não quero virar um ET. Existe um jeito masculino de usar através de um pull maior ou a maxitshirt. É mais confortável. O Guto Carvalho Neto fez a t-shirt até o pé. A moda está rolando sim".

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A simpatia pelo feminismo, movimento mais atuante do que nunca agora, cria uma atmosfera favorável. Um exemplo disso até hoje é a imagem de Kurt Cobain de vestido. Defensor das causas feministas, contra a homofobia, Kurt usou o vestido como manifesto. Em 1971, David Bowie também apareceu de vestido na capa do álbum "The man who sold the world". 

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Recentemente, o artista Antonio Bokel usou uma maxitshirt liberadora de movimentos do estilista Guto Carvalho Neto em uma de suas performances. Existe também uma leva de jovens criadores apostando no estilo, que surge já sem o rótulo do sem gênero, como Rodrigo Hull e Leandro Benites, que recentemente desfilou na Casa dos Criadores com sua marca Ben. Vamos aguardar a coragem transgressora dos meninos.

  

 

 


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