cauã

No dia 19 de outubro, uma sexta-feira, termina a novela “Avenida Brasil”. Na segunda-feira, dia 22, Cauã Reymond viaja para São Paulo para levantar patrocínio para um filme e fazer entrar em cena outro personagem, o do escritor, poeta, jornalista e pintor Rodrigo de Souza Leão. O assunto é tão apaixonante para Cauã que ele encontra uma brecha no ritmo acelerado das gravações da novela para falar desse carioca visionário. Entre com Cauã no mundo do autor desses versos: entendi o funcionamento do cérebro humano/Um duplo sem fim/ Algo diz sim e algo diz não/ E vence sempre o sim/ Se a mente for um cetim.

Rodrigo publicou dez e-books de poesia, entrevistou mais de 150 poetas e escritores para seu e-zine Balacobaco e levou a literatura às últimas consequências em livros como “Há flores na pele” (2001, Editora Trema), “Todos os cachorros são azuis” (Editora 7Letras, 2008) e “Me roubaram uns dias contados” (Record, 2010).

Rodrigo Souza Leão

Surto do escritor aos 23 anos: achou que era perseguido por um japonês com uma zarabatana

Em “Todos os cachorros são azuis”, narra seu surto, ocorrido aos 23 anos e diagnosticado como esquizofrenia. Nele, ao acordar, diante do espelho, acha que engoliu um grilo e chegando ao trabalho, no 26° piso da Torre do Rio Sul, tem certeza de que é perseguido por um japonês com uma zarabatana, que acaba atingindo-o com uma seta contendo um chip eletrônico.

Em “Me roubaram uns dias contados”, sua última obra, faz uma combinação de diário, romance e conto, em que o narrador-personagem explora sua própria aventura psicológica. Aventura dolorosa na consciência da loucura, engraçada e malandra no jogo de cintura do humor carioca, vital na certeza de que só através da arte poderia realmente viver. Rodrigo viveu pouco, morreu aos 43 anos, no dia 2 de julho de 2009 quando estava internado.Viveu intensamente num rompante de poesia, até hoje presente na internet. Numa enxurrada de prosa incrível e sem parágrafo, que deixou obras prontas e outras que ainda vamos conhecer. Tinha uma urgência criativa tão grande que pintou 50 telas em três meses de curso na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. 

Frase Cauã 2

“Gosto do humor sexual, da brincadeira que ele faz com a sexualidade, do jeito caótico com que ele entra e sai da realidade”, conta Cauã, que espera lançar o filme no começo de 2014. “O diretor e roteirista é o Felipe Bragança, que fez filmes como ‘A fuga da mulher gorila’, em 2009, ‘A Alegria’, de 2010, selecionado para a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Felipe também escreve os roteiros de Karim Ainouz,”, conta Cauã, que se interessou por Rodrigo de Souza Leão através de Chico Accioly, responsável pela preparação e produção de elenco de "Xingu".

Cauã Reymond: "convivi na infância com minha tia, que era esquizofrênica"

“O Chico propôs esse projeto para alguns atores. Eu me interessei e estou fazendo uma co-produção com Mário Canivello e Vania Catani”, diz Cauã. O ator tem uma familiaridade com o tema da esquizofrenia. “Na minha infância convivi muito com minha tia, que era esquizofrênica. Passei algumas noites na escada do prédio porque dentro do apartamento a situação era difícil. Mas toda loucura tem seu lado engraçado e eu me lembro que uma vez, no supermercado com minha tia, ela começou a furar todos os yogurtes para tomar. Eu, criança, impressionado, alertei minha avó, que disse: pode deixar. Minha avó ia recolhendo as caixas para pagar tudo no final”, lembra.

Frase Cauã 3

“Reis e ratos” (2012), de Mauro Lima, onde contracenou com Selton Mello e Rodrigo Santoro, “Estamos Juntos” (2011), de Toni Venturi, “Meu país” (2011), de André Ristum, “Não se pode viver sem amor” (2011), de Jorge Duran, “À deriva” (2009), de Heitor Dhalia, “Divã” (2009), de José Alvarenga, “Se nada mais der certo” (2008), de José Eduardo Belmonte, que lhe valeu vários prêmios, “Falsa Loura” (2007), de Carlos Reichenbach. Cauã já reúne vários bons filmes em seu currículo nas telas, que começou com “Ódique”(2004), de Felipe Joffily. Trabalhos que hoje são escolhidos a dedo. No início, segundo o ator, foi uma questão de sorte. Interpretar Rodrigo de Souza Leão para Cauã pode ter o mesmo significado que "Bicho de sete cabeças" (2001), de Laís Bodanzky, teve para Rodrigo Santoro. Ao fazer o papel de um garoto de classe média baixa internado num manicômio depois que o pai acha um cigarro de maconha, Santoro mostrou que podia ser muito mais do que galã. 

Cauã Reymond no cinema: Reis e Ratos, Estamos Juntos, Falsa Loura, Não Se Pode Viver Sem Amor, Se Nada Mais Der Certo
Um ator em busca de maior participação na construção do personagem

Frase Cauã 1

“Busco sair de um lugar passivo onde não me sinto encaixado mas nesse passo fico com medo de não me convidarem para papéis mais normais”, diz. “Sou um pouco inconformado com o lugar passivo do ator. Nesse filme vou participar mais do processo criativo do personagem e dar mais opinião. Não vai haver conflitos”, garante, rindo, “o artista é feito para fazer a energia circular”.

No site recém-lançado, imagens feitas por Lagerfeld, Bruce Weber e Terry Richardson

Cauã por Karl LagerfeldCauã acaba de lançar seu site (cauareymond.com.br), com direito a cliques do início da carreira de modelo, ainda adolescente, feitos por Karl Lagerfeld, Terry Richardson e Bruce Weber. Recentemente reviveu os tempos de modelo por duas vezes.Foi fotografado para a capa da revista "Made in Brazil" com um look da coleção verão 2012 de Givenchy, enviado especialmente de Paris para o ensaio. Além disso causou alvoroço ao aparecer de surpresa na passarela de Alexandre Herchcovitch, na São Paulo Fashion Week.

Em matéria de estilo ele é simples. O combo calça jeans, t-shirt e tênis só sai de cena para dar lugar aos trajes de neoprene, típico dos surfistas de plantão, e às bermudas para se exercitar na praia ou academia.

A carreira de ator começou por acaso, no fim dos ano 90 ao ganhar uma bolsa de estudos quando morava em Nova York. O curso foi com Susan Batson, professora de Nicole Kidman e Tom Cruise.

Cauã: "Tenho tendência a escolher filmes de arte porque a TV me dá conforto financeiro"

“Às vezes é sofrido. Estou full time na novela, com filha pequena e o cinema não é uma indústria estabelecida”, afirma. “Temos grandes sucessos como ‘Tropa de elite’ mas ainda falta um grande número de bons roteiristas. Em termos de cinema, gosto de tudo, assisto de “E aí comeu”, com Bruno Mazzeo, a Karim Ainouz. Tenho tendência a escolher filmes de arte para trabalhar porque a televisão me dá o conforto financeiro”, explica.

Ele conta que “Meu país”, onde atuou com Debora Falabella e Rodrigo Santoro, não alcançou bilheteria. “Tem nomes que auxiliam, como o Selton Mello mas “Billi Pig”, com minha mulher (Grazi Massafera) e o Selton não funcionou. Foi bom para dar um start num lugar diferente para ela. Tenho esperança de ver essa indústria andando mas não vejo ainda o espectador brasileiro.” Veja no Ego!


 
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