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Uma viagem à Rússia Imperial, em 1873. Na mala, Balenciaga e Chanel. Esta foi a ideia da figurinista Jacqueline Durran para o guarda-roupa de Anna Karenina, interpretada no cinema por Keira Knightley. Com quase 15 anos de experiência em Hollywood, ela mistura a silhueta do final do século XIX com as formas da década de 1950. O resultado? Sua terceira indicação ao Oscar e o BAFTA de melhor figurino.

Vestir Keira Knightley sob as orientações do diretor Joe Wright não é mais uma novidade para Jacqueline. Anna Karenina, que estreia no Brasil dia 15 de março, é o terceiro filme em que ela trabalha com atriz e diretor. Afinada, a equipe coleciona indicações ao Oscar – as outras por Orgulho e Preconceito (2005) e Desejo e Reparação (2007) – e é um dos grandes favoritos ao prêmio de melhor figurino este ano.

Quando os czares encontram Balenciaga

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Mas como transpor para as telas um dos maiores clássicos da literatura russa, escrito por Leon Tolstoi, sem cair no caricato? Ao contrário do que se espera de um filme de época, Anna Karenina foge do rigor dos figurinos datados. “Joe gosta que os figurinos estejam relacionados a um determinado período, mas ao mesmo tempo sejam acessíveis ao público moderno. Modernizar as formas de 1870 é sempre um desafio”, conta Durran.

A saída foi optar por formas que o público esteja mais acostumado a ver. Vem daí a silhueta de 1870 com detalhes da década de 1950. Decotes, casaquetos acinturados a la Balenciaga e joias Chanel (marca da qual Knightley já foi garota-propaganda) são facilmente identificáveis e destacam Anna da multidão nos bailes.

“Fiz questão de dar ênfase aos detalhes dos anos 50, especialmente nas roupas de Anna, porque eu queria que a plateia percebesse que não estávamos fazendo nada autêntico daquele período”. O fato de o filme ter sido todo filmado em um teatro, também ajudou. “Isso nos deu mais confiança na hora de compor o figurino porque o público iria entender que não estávamos sendo realistas. Eles podem pensar que as roupas estão um pouco diferentes do normal, mas não percebem exatamente porque”.

O nome por trás de Anna Karenina

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O resto ficou por conta do talento de Jacqueline, que acumula experiências em Hollywood. Além dos já citados Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação – onde Keira Knightley usou o icônico vestido verde esmeralda – ela trabalhou também em produções como O Solista e O Espião que sabia demais. Sua estreia nos sets, no entanto, foi como camareira no filme De olhos bem fechados, de Stanley Kubrick.

Com um diploma em arte e pequenos trabalhos aqui e ali, ela tratou de se especializar em moda. O resultado é visível na tela: “Jacqueline é uma designer maravilhosa. Ela entende muito de estilo, de determinados períodos da história, de tecidos e também tem uma compreensão dos personagens que é bem rara neste meio”, diz a atriz Olivia William, que representa a condessa Vronskin no filme.

Contando uma história através das roupas

Combo croqui

E o que Anna Karenina guarda em seu boudoir? Com certeza vestidos marcantes, com cores mais fortes e tons mais escuros. Preste atenção principalmente na cena do baile, onde ela surge com um modelo preto, em meio a uma profusão de tons pastéis. O vestido, descrito minuciosamente no livro, realça a beleza de Anna e representa sua afronta à sociedade da época: “Esta não estava vestida de lilás, como tanto teria desejado Kitty. Uma toalete de veludo preto, muito decotada, desnudava-lhe os ombros esculturais, que lembravam velho marfim, assim como o colo e os braços roliços, de pulsos finos. Rendas de Veneza lhe guarneciam o tecido. Nos cabelos negros, sem postiços, ostentava uma grinalda de amores perfeitos, combinando com outra que lhe adornava a fita preta do cinto, rematada por rendas brancas. Em volta do pescoço bem torneado brilhava um fio de pérolas”.

Keira Knightley também facilita o trabalho. Além de ter um corpo fácil de vestir, a atriz é avessa a estrelismos. “O que eu amo nela é a falta de vaidade. Ela sempre pensa no que é bom para o personagem e não para ela. Keira nunca diria ‘ah, mas eu não uso vermelho’”, conta Jacqueline.

A simbologia das cores

Para ela, o que importa realmente é contar bem uma história através das roupas. As cores então, são elementos fundamentais no arco dramático de um personagem. “Isso é mais visível no guarda-roupa de Kitty (
Alicia Vikander), que conforme vai crescendo passa do rosa, e do azul bebê para os tons de bege”.

Já os homens têm um estilo mais discreto e austero, como Karenin, marido de Anna (Jude Law). A atenção está nos detalhes: “existe uma ótima descrição no roteiro de Tom Stoppard de Karenin ser como um mecanismo de relógio, então relógios se tornaram algo de que Karenim se cerca”, explica o ator. Na Rússia Imperial, o guarda-roupa masculino era composto basicamente por uniformes. Os únicos trajes que se aproximam das peças de época são aqueles usados pelo elenco de apoio, ou seja, burocratas e seus coletes e camponeses vestidos em tons de cinza.

O filme fora das telas

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Anna Karenina já nasceu um sucesso. Além da coleção da Banana Republic, inspirada nos figurinos, o longa ganha também uma mostra, com uma seleção dos melhores trajes. Quem estiver em Londres até o dia 4 de abril pode passar pela Ham House e conferir de perto sapatos, luvas, chapéus, uma das roupas de Karenin e o famoso vestido preto de Anna.

Se Jacqueline se sente nervosa diante de tanto burburinho e da indicação ao Oscar? “Você tem que pensar que há uma chance de 20% de ganhar – e é uma honra apenas ter sido indicada. Não para se preocupar muito. É quase um alívio não ganhar porque aí não é preciso subir no palco”. Confira Ana Karenina no Ego!


 
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