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Intro jeans

Há algum tempo, os paulistanos vêm notando árvores um pouco diferentes espalhadas pela cidade, todas cobertas com jeans. Sem nenhum aviso ou cartaz, as árvores vestidas chamavam a atenção de todos até que... Foi solucionado o mistério. A intervenção, chamada Pé de Jeans, é uma das obras da "MOVE!", mostra que reúne moda e arte e chega agora a São Paulo, no Sesc Belenzinho. Ali, os visitantes vão poder conferir – e interagir! – com as mais diversas instalações, que incluem até mesmo uma passarela de Marc Jacobs com Anna Wintour na fila A.

Originalmente criada no MoMA, em Nova York, a MOVE! surgiu em 2010, com organização e curadoria de Cecilia Dean - co-fundadora da revista "Visionaire" - e pelo jornalista de arte e moda David Colman. Pela primeira vez no Brasil, chega trazendo instalações inovadoras e parcerias inéditas entre artistas nacionais e estrangeiros, como a Ellus e Peter Coffin – autores de Pé de Jeans -, Ryan Mcnamara, Diane von Furstenberg e Oskar Metsavaht, Vik Muniz e Francisco Costa, Maurício Ianês e Alexandre Herchcovitch, para citar alguns.

Splash

Por aqui, a exposição também contou com a curadoria de Antonio Haslauer, brasileiro radicado em Nova York, especialista em arte e moda, e diretor da AH Advisory. É ele que explica a chegada da mostra em solo nacional: “Esta não é uma exposição comum, tem muitas interações, muitas performances. É preciso ter um espaço adequado, que seja tão visionário quanto a mostra. Quando decidimos trazer a MOVE! para o Brasil, encontramos no Sesc Belenzinho um parceiro totalmente aberto às nossas propostas”.

Encontro de dois universos na MOVE!

E as propostas são realmente inovadoras. A ideia é unir os universos da moda, das artes visuais e da performance em uma versão reeditada da original do MoMA. “A missão da mostra é desafiar o contexto. A moda é o resultado de comportamento, cultura, movimentos artísticos, enfim, do zeitgeist [palavra alemã que significa ‘espírito do tempo’], da mesma forma que a arte, o cinema e a música. A moda não pode falar sozinha nunca. O objetivo da MOVE! é ser o fio condutor entre os dois mundos, mostrando que um não existe sem o outro”, afirma Antonio.

Neste sentido, a interação entre os artistas foi fundamental. A escolha funcionou através de uma curadoria, de pensamentos afins, onde as parcerias fluíssem naturalmente. O resultado são criações inéditas, que nem sempre o grande público tem oportunidade de ver “Nós queríamos celebrar a cumplicidade na hora de criar”.

Na passarela de Marc Jacobs

Looks2

Dessa cumplicidade nascem instalações como a Looks, criada por Pruitt e Marc Jacobs e “importada” de Nova York. Na passarela virtual – graças à realidade aumentada – é possível desfilar à vontade sob os olhares atentos de Beyoncé e Anna Wintour. “Aqui, o visitante não é um mero espectador. Ele pode descobrir como é ser modelo por um dia, vivenciar aquela experiência. Este é o grande trunfo da arte experimental, que é tendência nos Estados Unidos. Afinal, a gente evolui através de experiências, expandindo nossos horizontes. É mais do que observar, é participar da obra”, Antonio explica.

Dança e cor na obra de Vik Muniz e Francisco Costa

Já na piscina do Sesc Belenzinho, o artista plástico Vik Muniz e o estilista Francisco Costa promovem a Kalos, uma performance aquática que combina movimento, cor e forma através de uma coreografia executada ao vivo por atores. Simultaneamente, a dança é projetada com efeitos caleidoscópicos, fundindo elementos da moda e da arte.

splash2

Banho de tinta com arte

E se a cor é um componente importante para as artes, para a instalação Splash, de Olaf Breuning e Cynthia Rowley ela é fundamental. Ali, o visitante veste uma das peças criadas por Cynthia e toma – literalmente, é bom lembrar – um banho de tinta. O momento é clicado por um fotógrafo e enviado diretamente para o Flickr, gerando não só uma nova linha de roupas, mas também uma mostra sobre o processo criativo.

Looks


Arte, tecnologia e velocidade

Redes sociais, realidade aumentada, projeções. A esta altura já deu para perceber que a tecnologia tem um papel fundamental na arte. Mas qual é o impacto disso na moda? “O imediatismo. Hoje a informação circula muito mais rapidamente. Estamos vivendo a era das fast-fashion. A pessoa vê uma peça nos desfiles e já quer aquilo para ontem”, conta Antonio.

Na MOVE! isso também será possível. O estilista Pedro Lourenço e o coletivo do Banzai Studio se uniram para quebrar as barreiras entre a rua e a passarela na chamada Graficulture. Os artistas do grafite pintam grandes telas de tecido que, quando prontas, se tornam matéria-prima para roupas feitas ali mesmo, pelo público. Assistentes de corte e costura ajudam a montar as peças, que ainda levam a etiqueta de Pedro. “Três horas depois você leva para casa uma roupa nova e completamente exclusiva”.

the big picture

 

Imperdíveis

Na mostra, ainda é possível ver Pose, resultado da parceria entre de Ryan Mcnamara, Diane von Furstenberg e Oskar Metsavaht para Osklen; Ligatura, performance de Maurício Ianês e Alexandre Herchcovitch e; The Big Picture, de Ricardo de Castro e Dudu Bertholini para Neon. A ideia principal é que o público experimente todas as fases do processo criativo da moda e veja de perto sua relação com as artes visuais.

“Sem interação, a moda vira roupa e a arte vira pôster”.

O debate sobre esta relação não é novo, mas ainda gera polêmicas. Recentemente, Karl Lagerfeld chegou a afirmar que acha pretensão o desejo de ser considerado um artista. Na contramão, o casal Patrizio Bertelli e Miuccia Prada investe cada vez mais em obras de arte. Não só por prazer, mas também porque é uma ótima estratégia de branding para a marca italiana.

Antonio analisa a questão por um ponto de vista diferente. “No mundo da moda hoje existe uma demanda de racionalidade, pelo próprio business. A MOVE! mostra que é preciso sonhar e fazer sonhar, é preciso ir além. Sem essa interação, se não decodificar os códigos, a moda se torna só roupa e a arte apenas um pôster”, afirma.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 
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