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Heloisa Marra
: Heloisa Marra

O ruído branco, aquele espectro audiovisual da TV fora de sintonia inspirou o estilista baiano Vitorino Campos em sua coleção de verão. As roupas foram apresentadas numa instalação de manequins com video de um desfile projetado sobre paredes de concreto do estúdio do fotógrafo André Schiliró. Artista da trama e do fio, Vitorino já é vendido em 32 pontos no Brasil (no Rio pode ser encontrado na Alberta), tem 22 pessoas trabalhando em sua fábrica na Bahia e acaba de abrir um showroom no Japão. Um sucesso aos 25 anos!

Seu último desfile na São Paulo Fashion Week investiu em requintados grafismos listrados e vibrantes, que ganharam o aplauso da crítica e acabaram sendo vestidos por várias famosas, entre elas Izabel Goulart no baile de carnaval da revista "Vogue". 

Vestido e detalhe


Clima de névoa para desacelerar

O objetivo da instalação de manequins mostrada com vídeo? "A coleção fala sobre a temática digital e eu sempre quis um momento mais próximo com a imprensa, com as minhas compradoras, um tempo diferente da velocidade de um desfile. Trabalhamos com luz baixa, um clima de névoa, para que as pessoas pudessem desacelerar do dia a dia", conta o estilista, que encara a câmera com certa timidez, rindo só depois do clique.

Fetiche: as sandálias de Flavia Alessandra

"Sabia que esse ruído da televisão é usado para acalmar em tratamentos?", disse Vitorino a Daniela Falcão, editora da "Vogue". No meio da névoa, um flash capta a imagem de Flávia Alessandra, num vestido azul floral e levíssimas sandálias by Vitorino.

flavia e sapato2

Tecidos dublados numa coleção estruturada e leve

O estilista é craque na arquitetura têxtil. Para dar rigidez ao cetim duchesse, coloca o tecido numa prensa térmica com uma entretela de dupla colagem junto e uma sarja, tudo com acabamento de zibeline. Looks velozes, formas retas, silhuetas alongadas e volume nas blusas pontuaram uma coleção em preto, rosa e azul, com destaque para a seda combinada ao acetato.

Construindo a renda

A construção de uma renda telada é um primor. E ele explica: "a trama mistura o cinza e o bege em fios metálicos. Resolvemos trabalhar com o cinza e não o branco porque o ruído branco é a união do cinza com o preto. É um novo cinza. Existem microfios em dois tons de cinza e ouro velho para quebrar essa mescla", explica Vitorino que começou a trabalhar aos 12 anos na fábrica de uniformes da família em Feira de Santana. Veja Vitorino também no Ego!

Dono de grife aos 16 anos

Vitorino e Izabel

Batalhador, fez uma grife sua aos 16, foi estudar moda na Universidade de Salvador, desfilou no Moda Hype no Rio e num curto tempo já é vendido nas principais cidades do país. O reconhecimento está vindo rápido. Foi apontado pela revista "Elle" como um dos sete nomes da costura sob medida no Brasil e indicado pela L'Officiel como um dos cinco estilistas de futuro promissor na América Latina.


 
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