punk intro
Heloisa Marra
: Heloisa Marra

Sexo, drogas e rock ‘n’roll, ai que saudades!.O que seria do anáquico mundo punk sem eles? A exclamação é da editora de moda Suzy Menkes criticando a exposição “Punk: Chaos to Couture”, aberta ao público no Metropolitan em Nova York. Celebrada com o tradicional baile e o tapete vermelho de celebridades, a mostra teve seu melhor momento com a entrada de Vivienne Westwood usando um broche manifesto com a foto de Bradley Manning, militar americano preso por ter passado informações ao site Wikileaks. Vivi continua mais punk do que nunca.

 

 

Deve ter sido um desafio para o curador Andrew Bolton tentar transmitir a rebeldia Punk entre as paredes de um museu. Literalmente empalhando os revolucionários looks da época, ele acabou dando uma versão pasteurizada e fria de um dos movimentos mais importantes dos últimos tempos.
Sem título

Para Suzy Menkes, o único momento em que o museu se aproxima do sujo universo punk, lembrando de leve a rebeldia dos anos 70, é quando recria os banheiros do CBGB, berço musical da vanguarda novaiorquina da época.

Montagem Gareth vale

Nem a trilha sonora dos Ramones cantando “Now I wanna sniff some glue” salva o evento. Drogas, moicanos, a maquiagem de impacto e as suásticas foram banidos das montagens.Ironicamente, os cabelos coloridos e espetados, estilizados por Guido Palau, sob a orientação do curador, transformaram os looks em palhacinhos punks.

O vestido  de sacos de lixo de Gareth Pugh é um dos pontos altos

Niilista, anárquico, motor do revolucionário “do-it-yourself” (faça você mesmo), decisivo para movimentos que se seguiram como o grunge com sua explosão musical e cultural de bandas de garagem, o punk teve nos anos 70 a força do dadaísmo do início do século XX. Entre os pontos altos de “Punk: Chaos to Couture”, está o vestido feito de sacos de lixo desfilado recentemente por Gareth Pugh. 

montagem katherine

As camisetas de Katharine Hamnett declarando guerra aos mísseis nucleares talvez fizessem mais sentido se o visitante visse a foto de Katharine Hamnett vestindo uma delas no encontro com a primeira ministra Margaret Thatcher em 1984.

O instante mais vivo da exposição aconteceu com a entrada de Vivienne Westwood usando um broche manifesto com a foto de Bradley Manning, militar preso por ter passado informações sigilosas ao site Wikileaks.

 Vivienne Westwood e Lili Cole AFP

Mais punk do que nunca, a estilista chegou junto com a modelo e atriz Lily Cole. "Quando fui punk há alguns anos a razão era a mesma de agora: justiça e a luta por um mundo melhor”, explicou Vivienne com Bradley transformado em broche-manifesto sobre o seu look de gala.

Apesar da importância da estilista, que doou muitos vestidos para a exposição e foi responsável inclusive pela roupa de Marc Jacobs no tapete vermelho, Anna Wintour, editora da “Vogue”, tratou de cortar as asinhas punks de Westwood. Inicialmente, havia sido programada a instalação de uma escultura gigante de Vivienne, criada por Nick Knight. Os convidados poderiam grafitar a estátua como quisessem mas Anna Wintour cancelou tudo alegando que a instalação seria uma distração desnecessária.

Vivienne Westwood: moda contra a podridão do status quo

Mesmo transformada em peça de exposição de museu, Vivienne e suas criações mostraram o poder de uma revolução feita também através da moda. Calças bondage, anárquicas t-shirts estampando a Rainha Elizabeth com piercing e o depoimento da designer dado num filme dos anos 70 ajudam de forma um pouco mais quente a entender o movimento.

A famosa loja de Vivienne com Malcolm McLaren na King's Road em Londres foi recriada num espaço do Metropolitan. Chamada primeiro de "Too fast to live, too young to die", passou a ser conhecida como "Sex" e depois foi rebatizada de "Seditionaires" à medida que as ideias do casal foram evoluindo. No filme, Vivienne afirma que não se vê como fashion designer mas como alguém que deseja confrontar, através da sua maneira de vestir, a podridão do status quo". 

Red carpet vale

Reflexão final de Suzy Menkes sobre a exposição: "Para os verdadeiros punks _ que viveram e sobreviveram aquele momento _ deve ser uma estranha ironia ver que o chute que deram na falta de futuro dentro de uma sociedade morta, 40 anos depois se transformou de desafio contra uma sociedade empobrecida em um mero display de roupas e pretexto para os super ricos darem um baile".


 
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