Heloisa Marra
: Heloisa Marra

Estudar e viver em Londres é um sonho. As experiências variam. Ana Claudia Lopes estudou no College London of Fashion e hoje vai e volta levando grupos. Ana Wambier, estilista da marca Wasabi, que escolheu a Central Saint Martins, decepcionou-se.

Ana Wambier criou junto com Daniela Sabbag a marca Wasabi, uma roupa que mistura moda e arte de maneira charmosa, criativa e irresistível. No inverno 2015, elas se inspiraram na arte de Matheus Rocha Pitta para criar lindas estampas.

Mas muito antes da Wasabi, Ana trabalhava no jornal O Globo, dividindo seu tempo entre a redação e a graduação de moda no Senai Cetiqt, no Jacaré, no Rio de Janeiro. "Pensei, não vou nunca largar o jornalismo no 'Globo', que eu gostava de fazer, se não houver uma quebra".

Ana Wambier: "Toda a experiência bateu mal no início"

"Na época falei com a Silvia Rogar (atualmente editora da 'Vogue'), que havia adorado o curso na Saint Martins", lembra Ana, que foi para Londres com uma
expectativa bem alta e levando um portfolio muito bem montado. "Toda a experiência bateu mal no início. A universidade tem várias moradias para estudantes e fechei a minha no escuro. Foi péssimo. Eu fazia mestrado e dividia o espaço com uma galera da graduação. A cozinha era nojenta e o lugar não era nada tranquilo. Para ter meu dinheiro de volta, tive que encontrar alguém para ficar no meu lugar. Não foi fácil mas arrumei".

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Ana Foi morar em Stoke Newington, hoje um bairro trendy mas na época não muito seguro. "Menina do Rio acostumada com a violência, fiquei com um medo
louco. Lá você é aconselhada a não pegar mini cab porque o índice de estupro é alto. Uma amiga minha chegou a sofrer um ataque. Não se deve cortar caminho à noite pelo parque. O convívio na nova casa, antiguinha de cinco andares, foi melhor", conta Ana, que no novo endereço conheceu mais pessoas nativas.

O curso, entretanto, revelou-se o maior caça-níquel. "Em Londres, você acaba encontrando brasileiros fazendo outros cursos. Amigos meus se matavam de estudar em cursos de Antropologia ou economia, enquanto eu levava o meu com a maior facilidade. Tive uma aula ridícula, onde a professora comentava como a imprensa debatia a Kate Moss. Nunca tive que ler um livro. Só entrei na biblioteca para xerocar o universo visual de cinco designers famosos. A única aula boa era a de história da moda, uma vez por semana. Meus colegas eram caídos e deslumbrados. Eu tinha que ter falado imediatamente que não estava gostando", afirma Ana.

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Louise Wilson, um personagem duro

Louise Wilson, famosa coordenadora que incentivou talentos como John Galliano e Stella McCartney e morreu ano passado, foi outra decepção. "Nossa! Uma
carrasca! Ela vestia um personagem duro. Entendi mas não me adaptei. Se você é uma pessoa nativa na Europa, paga uma taxa irrisória para estudar enquanto o estrangeiro é cobrado cinco vezes mais. As universidades abrem cursos para pegar os desavisados e gerar caixa", alerta.

Jornalista e professora da graduação em Design de Moda da Universidade Cândido Mendes, Ana Claudia Lopes morou seis anos em Londres. Formada em Comunicação Social pela PUC-Rio, trabalhou na cidade como correspondente da revista "Vogue" Brasil. Na ocasião fez uma segunda graduação em Fashion Studies no London College of Fashion.

"O curso não existe mais. Era de quatro anos e oferecia numa primeira etapa uma espécie de ciclo básico misturando prática e teoria para em seguida permitir ao aluno escolher sua própria linha de estudo. Fui para a teoria, estudando Mídia, Cultura e Comunicação enquanto vários colegas meus seguiram para o Design", conta.cursoslondresana

Ana Claudia: mais opções de especialização lá fora

Ana acredita que a oportunidade de se especializar em uma universidade reconhecida mundialmente tem um peso. “As pessoas do mercado de moda sabem
que os cursos lá de fora já existem há mais tempo e são mais densos e aprofundados”, afirma. "Além disso enquanto aqui sinto as ofertas mais limitadas e focadas no Design, lá fora você encontra especialização em Marketing, Compras, Fashion Business, Visual Merchandising, etc".

Ana Claudia já está na segunda edição do projeto “Day Tripper”, um curso de estudos práticos na capital inglesa com duração de cinco dias, ministrado duas vezes por ano, nos meses de janeiro e julho. A próxima data é imperdível, de 20 a 24 de julho. O programa é super flexível e sob medida para quem está indo para Londres. "O aluno pode escolher apenas uma manhã, que custa R$ 210,00, de acordo com seu roteiro na cidade, um dia, ou os cinco dias".

Day Tripper: Misturando história e dicas contemporâneas

É com pleno conhecimento de causa, de quem já escreveu o guia "Londres Confidencial", editado pela Memória Visual, e atuou como compradora de
tecidos da marca britânica Reiss, que Ana Claudia oferece um olhar muito particular sobre Londres. O grupo, de no máximo 15 pessoas, terá a oportunidade de encontrar e conversar com profissionais de moda atuantes, conhecerá representantes de tecido, estúdios de modelagem e até mesmo o ateliê de um alfaiate, um dos mais antigos, que já fez até ternos para D. Pedro II. Misturando história e dicas muito contemporâneas, o roteiro foi feito para enriquecer a experiência de quem está indo para Londres.

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Ana Claudia: "nunca divida casa com amigos"

Ana Claudia tem algumas dicas para quem está pensando em estudar em Londres. Na hora de dividir apartamento ou casa, "nunca divida com amigos. Fiz
isso uma vez e acabou a amizade. Acabei dividindo com estranhos e alguns deles acabaram meus amigos." Para ela, na hora de escolher o curso é importante sair também dos mais badalados como Central Saint Martins e o London College of Fashion. "Quando trabalhei na Reiss, vários excelentes designers, por exemplo, tinham se formado na Kingston University. Há também o Royal College of Art, voltado para Belas Artes e Criação", diz.

 Colaborou Ingrid Benvegnu

 

 

 


 
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