Heloisa Marra
: Heloisa Marra

Tempos difíceis para falar de moda. Mas justamente por isso vale a pena tocar no assunto porque um dos maiores poderes da moda é transformar realidade em sonho. Pelo menos pelo breve momento de um desfile. Na temporada do inverno 2020, já anuviada pela escalada do coronavirus, o estilista Thom Browne levou para a passarela uma versão muito particular e colorida do seu apocalipse: a arca de Noé.

Thom Browne


Uma cabeça de girafa vermelha cheia de pintas azuis, vestindo look de alfaiataria listrado com um feminino laço na frente, abriu o desfile, evoluindo com delicadeza seu inusitado glamour animal. Vieram em seguida o elefante, galinhas, coelhos, raposas com cabeças magníficas, criadas pelo chapeleiro inglês Stephen Jones.

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Thom desfilou 33 casais, cada um carregando bolsas de couro preto em formato de bichos. De coelhos a rinoncerontes. Nas duplas era impossível distinguir feminino e masculino. Fantasia de fuga, escapismo, fé, ele acredita no recomeço de uma história além dos limites de gênero. Não podemos esquecer que o recomeço é uma lição histórica da moda. Christian Dior e seu New Look surgiram das cinzas de uma Europa destruída pela guerra.

Vale a pena assistir ao show, que aconteceu dia 1 de março, na Escola de Belas Artes de Paris, e sonhar um pouco com ele.




 
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