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intro luciana

Nesta relação às vezes quase simbiótica, cabe uma ressalva. Em sua galeria na Barão de Jaguaripe, em Ipanema - com projeto de Erick Figueira de Mello e iluminação do Maneco Quinderé – ela costuma priorizar trabalhos que tenham a arte em sua essência. Afinal, é para isso que aquele espaço foi criado. “Sou galerista, meu metiér é a arte, e não a moda”, diz. No entanto, no currículo do espaço criado em 2011, ela acumula mostras importantes como a de Mana Bernardes e Francisca Botelho.

“A opção pelo lado artístico das obras é consciente. No caso da Mana, por exemplo, só expusemos os trabalhos de design dela. Com a Francisca, que é designer de joias, tivemos um trabalho importante de curadoria por trás, até o Vik Muniz participou. Aliás, eu sempre bato nessa tecla da importância do curador. Hoje, o termo está banalizado. Parece que curador é só alguém que escolhe as coisas. Pelo contrário, é preciso estudar muito para exercer esta função”, explica.

Moda, arte e estilo

Mana Bernardes

Menos subjetivos são os desfiles da NK Store, que esta semana apresentou pela segunda vez suas peças no espaço. A ponte entre marca e galerista foi feita por Beto Silva, vendedor da loja e comprador assíduo de obras de arte. “Eu sou cliente do Beto lá e ele é meu cliente aqui, é uma troca bacana”. E por falar em compras, receber o desfile não é uma forma interessante de já selecionar algumas peças para o próprio guarda-roupa?

“Sou bem prática nesse quesito, costumo comprar em 15 minutos e já sei o que me cai bem. Adoro cores e estampas, por exemplo. Além da NK e da Isabela Capeto – que é uma grande amiga – gosto da Tori Burch e da Missoni”, define. Mas o maior ganho do desfile é, sem dúvida, atrair o público para seu espaço. “É uma forma de as pessoas entrarem na galeria sem achar que têm a obrigação de comprar. No final, até acabam comprando, mas isso é consequência”.

Quando a arte disputa com o mar

Galeria

No Rio, cidade mais acostumada a programas ao ar livre, ainda é possível notar um certo estranhamento em relação às galerias. Não que por aqui não se aprecie arte, pelo contrário. Uma das provas disso é o imenso sucesso que feiras como a ARTRio fazem na cidade, atraindo jovens, crianças e adultos. O que ainda não acontece é emendar a praia com a galeria de arte, por exemplo. “No início, cheguei a pensar que pudesse ser uma boa abrir aos sábados e domingos e talvez aproveitar a saída da praia para atrair as pessoas. Mas isso não acontece. O carioca é diferente do paulista, por exemplo, que lota museus no final de semana. A gente é do mar mesmo, a arte é que tem se adequar a cultura do lugar. Ainda há quem pense que só pode entrar aqui quem vai comprar. Não é verdade, não existe esse link. O importante é ver as obras, conhecer, apurar o olhar”.

Ela mesma não nasceu gostando do assunto. Publicitária de formação, foi trabalhar como gerente na galeria do pai – aposentado do mercado financeiro – e só então se apaixonou pelo negócio. Saiu de lá, montou sua própria galeria com uma amiga e, só quando sentiu vontade de ter algo próprio, fundou a Luciana Caravello Arte Contemporânea. O espaço hoje representa artistas quase 30 artistas, desde os mais conhecidos até os estreantes.

Os artistas de Luciana

Obras

Ali, apenas uma exigência: talento. São tantos, que ela tem dificuldade de citar apenas alguns. “Gosto de todos os meus artistas, mas citaria três. Daniel Lannes e Danielle Carcav fazem a chamada Nova Pintura. É figurativa e tem um toque de ironia que acho bem interessante. E eles trabalham com temas modernos, com que as pessoas conseguem se identificar. Já Ivan Grillo é um artista super jovem, de Campinas (ele tem 29 anos), e faz fotografia com algumas interferências. Ele é best-seller, em todas as feiras que eu vou, todos adoram seu trabalho”, indica.

E estas feiras ocupam boa parte do tempo da marchand, que vai constantemente a São Paulo, Europa (“hoje muito prejudicada pela crise econômica”), Nova York e Miami. A última, segundo ela, além de meca do consumo também é um ótimo campo para quem quer comprar obras de arte, principalmente as do mercado latino-americano. Luciana chama a atenção para o fato de não existir ainda um mercado de arte brasileira - como existe o de moda, por exemplo. "Na verdade, é complicado falar de arte brasileira. Para o mercado, ela ainda não existe sob esta denominação. Os artistas brasileiros sim, estão inseridos no mercado latino-americano, que está super em alta. De qualquer forma, estamos muito bem representados".

Quero ser colecionador, o que fazer?

Se engana quem pensa, no entanto, que colecionar arte é hobby dos mais velhos ou mais ricos. Hoje, grande parte do mercado consumidor é formado por jovens, que começam a se interessar por este assunto aos poucos e lotam feiras e galerias em busca dos melhores negócios. Ano passado, a mostra Artigo Rio oferecia peças a partir de R$ 0,50, por exemplo. E para quem se encantou por este universo e gostaria de levar uma obra para casa? Que conselho ela daria? “Comece pela arte contemporânea, que é mais palatável. Os artistas muito conceituais podem assustar de início, mas este movimento proporciona uma interação e um entendimento maior. Outra coisa importante é investir em artistas jovens. Além de eles oferecerem uma visão mais moderna nas obras, em termos de investimento costumam sair mais em conta do que os consagrados”, aconselha.

 
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