SPFW Impactos 53: desafios da alfaiataria

Com 22 desfiles presenciais e 19 digitais, a SPFW Impactos 53 aconteceu de 31 de maio a 4 de junho em vários cenários: Senac Lapa Faustolo, Komplexo Tempo, Museu de Arte Brasileira, Teatro FAAP e Hotel Rosewood, em São Paulo. Diversidade, sustentabilidade e protesto político desfilaram na passarela. Mas na essência da moda, é a alfaiataria que continua comandando o espetáculo com sua matemática de proporções desafiando a criação. Escolhi 3 designers que me impressionaram ao apontar novos caminhos para uma formalidade fluida, divertida e flexível.  

neriageemcinmaEm seu quarto desfile na SPFW a Neriage, de Rafaella Caniello e Laura Cerqueira Leite, é a imagem atemporal da mulher contemporânea. A marca inaugurou sua loja em outubro do ano passado na Mateus Grou, em Pinheiros, e inspirou seu verão 2023 no tempo e nos reflexos mutantes do céu sobre o mar. Longilínea e romântica, a Neriage desfilou silhuetas douradas, azuis, brancas e laranjas (cores da estação) muitas vezes pontilhadas por cristais Swarovski, lembrando o brilho das estrelas. Trenchs quase quimonos envolveram uma feminilidade pontuada por faixas ou cintos com mini pochettes e tênis da On Running. Os plissados, uma das marcas registradas da Neriage movimentaram algumas saias numa coleção definitivamente à prova da passagem do tempo.
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Misci: o look design de Airon Martin
Nome da coleção: Eva Mátria Brasil. Inspiração nas mães solo, que cuidam sozinhas dos filhos. A Misci tem se destacado desde seu desfile anterior com uma alfaiataria criativa e sustentável. Sem medo de virar folclore, Airon apostou na brasilidade em peças com design sensual, moderno e responsável. A seda usada na coleção vem da Bratac, empresa brasileira há mais de 70 anos produtora de seda e fornecedora de marcas como a Hermès. O algodão orgânico é cultivado na Paraíba. E o couro do Pirarucu vem de curtumes sustentáveis. As cores da coleção falam da nossa história com o vermelho, lembrando o pau-brasil, o azul e o verde, a nossa biodiversidade, em misturas harmoniosas com os neutros marrons e off-white.
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O inverno 2023 em branco e preto da À La Garçonne

Alexandre Herchcovitch, diretor criativo da marca À la Garçonne, de Fabio Souza, inspirou-se em peças nobres como o smoking, a camisa e o terno para criar uma feminina formalidade em branco e preto para o inverno 2023. O desfile começou com longos vestidos-camisa brancos sobre underwear preto, evoluindo para ternos acinturados com prints sobre o vermelho e vestidos compridos com direito a cauda. Fetiche do momento: as luvas até o cotovelo. Herchcovitch teve um momento vintage nas jaquetas perfecto com estampa de esqueleto, lembrando seu início de carreira. Tenho até hoje uma camiseta branca com caveira preta comprada no Mercado Mundo Mix, um dos lugares onde começou a vender suas peças no Rio de Janeiro. 

herchcovitchfemininoOversize, street, o masculino da À La Garçonne trouxe camuflagem, sobreposições de casacos sobre amplas bermudas e calças. 
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