Maria Casadevall: poderosa!

Alta, franja e cabelos pretos lisos, que ela mesmo repicou depois de um corte, Maria Casadevall conquistou os corações não só do médico Michel, personagem de Caio Castro em “Amor à vida”, mas de milhares de telespectadores que torcem pelo romance nas redes sociais. No recém-inaugurado hotel Miramar By Windsor, ela posou para o fotógrafo Felipe Gaspar ao som de Billie Holiday. Teatro, literatura, música, amor, estilo, descubra aqui as paixões da atriz.

 

 

maria casadevall miniatura

Com Billie Holiday no ipod, Maria entrou no clima do editorial. Saia de princesa, blusa de renda transparente, vestido e batom vermelhos, saltos altíssimos brincou de ladylike. Ela gosta de decote que revela os ombros e as costas.

Prefere cores como os vinhos e verdes mais fechados desse inverno mas sabe o valor de um vermelho e de um dourado. Na novela fez sucesso com um vestido de noiva, feito por Lucas Anderi, no melhor estilo Dior.

maria casadevall 1

Sobrenome catalão e voz de cantora de jazz

Entre uma foto e outra, soltou uma voz aveludada, bem treinada em aulas de canto, feita sob medida para as canções de jazz e exercitada junto com a amiga, Lorrah Cortesi, cantora lírica franco-brasileira com quem morou em Paris. A atriz foi estudar em Paris, onde trabalhou num pub para se sustentar. Viveu também um ano na Austrália.

maria casadevall 2

Casadevall é um sobrenome catalão. “Minha família tinha casa no vale, daí o nome”, explica a atriz, que foi conhecer a aldeia do avô, Maçanet de Cabrenys, perto de Girona, a 100 km de Barcelona.

Muito além do vale na companhia dos Satyros

Maria foi muito além do vale. O avô, fugindo da guerra, veio parar no Brasil, casou-se e teve muitos filhos. Com 25 anos, Maria mora em São Paulo mas pretende em breve mudar-se para um flat no Rio. Sua paixão é o teatro. Faz parte desde 2009 do grupo experimental de teatro Os Satyros, fundado em 1989 por Ivam Cabral e Rodolfo Garcia Vazquez.

maria casadevall 3

“Desde 2006 acompanhava as apresentações do grupo na Praça Roosevelt. Em setembro de 2009 fiz vários testes para entrar na companhia e acabei sendo aprovada para encenar “Roberto Zucco””, conta.

Na peça de Bernard-Marie Koltès sobre um serial killer, que apavorou a Europa nos anos 80, Maria recebeu boa crítica como uma burquesa que se recusa a dar a chave do carro para o assassino e assim provoca a morte do próprio filho.

maria casadevall 4

Fome de palco em 78 horas ininterruptas de apresentação

Logo depois da estreia, Maria passou a atuar também em “Hipóteses para o amor e a verdade”, um texto construído coletivamente sob a direção de Rodolfo Garcia Vasquez. “Eram sete apresentações em quatro dias”, lembra a atriz, que participou depois do projeto AutoPeças. “Foram 78 horas de apresentações ininterruptas”, conta.

maria casadevall backstage

No projeto AutoPeças, ela e outros atores se apresentaram, numa encenação inusitada, dentro de 18 carros estacionados ou em movimento pelos lugares mais improváveis de São Paulo. “Quero trazer para o Rio uma peça escrita por mim e pela Cleo de Páris, ‘A nossa gata preta e branca’, que apresentamos em 2012 no espaço dos Parlapatões, dirigida por Tiago Leal”, diz Maria, que está conversando com Aderbal Freire Filho para encenar a peça no Teatro Poeira.

'Bolsa Caio Castro, para quem levou um pé na bunda'

Maria é um furacão de energia sem perder o foco. No momento acompanha com muita atenção cada detalhe de seu trabalho na novela. “Torço para que o romance de Patricia com Michel dê certo porque acho verdadeiro o que acontece entre os dois”, observa a atriz, que volta e meia recebe dos amigos mensagens com piadas engraçadas sobre os personagens. “Uma das últimas foi a da ’Bolsa Caio Castro, para quem levou um pé na bunda’”, conta, rindo.

Medos e paixões

Maria se considera uma pessoa destemida e sempre aberta a novas experiências. Algum medo? “O de perder as pessoas que eu amo”, responde. Outras paixões além do teatro? “Escrevo desde que me entendo por gente. Tenho um blog, cacholadamaria.zip.net, onde faço prosa, poesia, crônica, um caos como a minha cabeça”, diz a atriz, que tem muitos livros preferidos.

Para ler

Olha só a lista: “Doze contos peregrinos” e “Vim só telefonar”, de Gabriel Garcia Márquez, “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert, “Crime e castigo”, de Fiódor Dostoiévski, “Lavoura arcaica”, de Raduan Nassar, “On the Road”, de Jack Kerouac. “Meu livro de cabeceira é ‘Breviário de decomposição’, do filósofo romeno Emil Cioran”. Veja Maria no Ego!

Fotos: Felipe Gaspar; styling: Felipe Dornelles; beleza: Mary Saavedratratamento de imagem: Moche Steinberg. Fotos realizadas no Hotel Miramar By Windsor.